Esquizofrenia

Sem vaga em Ribeirão Preto, mãe recorre à polícia por internação de filho com doença mental

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Mãe não consegue internar filho com doença mental em Ribeirão Preto, SP

Mãe não consegue internar filho com doença mental em Ribeirão Preto, SP

Uma mãe desesperada registrou um boletim de ocorrência na Polícia Civil de Ribeirão Preto (SP) na noite desta terça-feira (15) para tentar conseguir uma vaga de internação para o filho que sofre de Esquizofrenia Bipolar Afetiva.

De acordo com a mãe, o jovem nunca usou drogas, ele já nasceu com a doença e sofre de constantes surtos agressivos, delírios e alucinações, porque não consegue vaga na rede pública para fazer o tratamento adequado.

Mãe abriu boletim de ocorrência para tentar conseguir vaga para internar filho com doença mental, em Ribeirão Preto (SP). — Foto: Reprodução/EPTV Mãe abriu boletim de ocorrência para tentar conseguir vaga para internar filho com doença mental, em Ribeirão Preto (SP). — Foto: Reprodução/EPTV

Mãe abriu boletim de ocorrência para tentar conseguir vaga para internar filho com doença mental, em Ribeirão Preto (SP). — Foto: Reprodução/EPTV

A Secretaria Municipal de Saúde informou que o paciente é acompanhado pelo Centro de Atenção Psicossocial há um ano e que o jovem nunca apresentou agressividade durante os atendimentos na unidade de saúde. A nota esclarece que os médicos que o acompanham não indicaram a necessidade de internação em hospital psiquiátrico.

A mãe disse que o filho ameaça colocar fogo na casa onde mora com a família, na Vila Tibério. Ela conta que se sente insegura e teme pela vida do jovem e de outras pessoas.

“Ele se corta, se bate, me agride. Ele já tentou me matar e fui parar no pronto socorro. Me sinto insegura constantemente. Ele não dorme, só com remédios. Não pode ficar sozinho que coloca fogo nos móveis, tenho medo que ele se mate ou mate outra pessoa”, conta.

Mulher prefere não se identificar tentou internar o filho doente mental, mas não conseguiu vaga em Ribeirão Preto (SP). — Foto: Reprodução/EPTV Mulher prefere não se identificar tentou internar o filho doente mental, mas não conseguiu vaga em Ribeirão Preto (SP). — Foto: Reprodução/EPTV

Mulher prefere não se identificar tentou internar o filho doente mental, mas não conseguiu vaga em Ribeirão Preto (SP). — Foto: Reprodução/EPTV

Segundo a mãe, existe um laudo comprovando que o jovem tem esquizofrenia e que precisa de internação, mas ainda assim ela não conseguiu vaga na rede pública para o filho.

“Tenho o papel que comprova, tenho tudo comigo, mas eles [Secretaria Municipal de Saúde] dizem que não mexem com isso, não tem abertura para isso. Acho que até eles têm dificuldade para isso. Eles se tratos dos seis aos 22 anos, depois parou e agora precisa voltar porque o caso dele é grave e já está avançado”, afirma a mulher.

Ainda de acordo com a mãe, a rede municipal de saúde não dá abertura suficiente para as famílias.

“Eles precisam escutar mais a gente e não tratar como se fosse uma droga, porque é uma doença mesmo. Ele precisa de internação, tratamento sério mesmo”, diz a mãe.

Falta de vagas

Ex-coordenador do Programa de Saúde Mental e médico psiquiatra, Alexandre Souza Cruz explicou que o número de vagas disponíveis para internação de pessoas com problemas mentais é pequeno para atender toda a região.

Entrada do Hospital Santa Tereza, em Ribeirão Preto (SP). — Foto: Reprodução/EPTV Entrada do Hospital Santa Tereza, em Ribeirão Preto (SP). — Foto: Reprodução/EPTV

Entrada do Hospital Santa Tereza, em Ribeirão Preto (SP). — Foto: Reprodução/EPTV

“Oficialmente, são 207 vagas para uma região de mais de 1,3 milhão de habitantes, ou seja, é um número insuficiente. A maioria dos países desenvolvidos tem um número de leitos por habitante bem superior a Ribeirão Preto”, afirma.

De acordo com o médico, a mãe do jovem agiu da maneira correta ao procurar a polícia para pedir ajuda.

“É fundamental que, caso a família não consiga assistência da UPA ou da UBDS mais próxima a unidade distrital, solicite o apoio da polícia. A polícia pode e deve ajudar, porque uma pessoa que está com problema de saúde precisa de socorro”, diz Souza Cruz.

Ainda segundo o médico, a rede municipal de saúde deveria buscar mais informações junto aos familiares para tentar entender qual é o verdadeiro quadro do doente mental.

“É preciso ouvir os familiares, porque o paciente, às vezes por medo do processo de internação, tenta mudar a postura na frente do médico. Então, é preciso compor as informações para entender melhor o que ocorre”, explica.

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