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Esquizofrenia sem Violência

Pacientes portadores da doença e violentos, como no caso do assassinato de Eduardo Coutinho, é raro MICHELI NUNES
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Além de conviver com os devastadores sintomas da esquizofrenia, muitos pacientes também precisam lidar com o preconceito e o medo das outras pessoas. Apesar de casos de agressão física motivados pelo transtorno serem raros, muita gente ainda associa a doença à violência. Médicos explicam, porém, que a agressividade não é uma característica da esquizofrenia.
“Um dos sintomas mais particulares da esquizofrenia é o isolamento. Para que o tratamento tenha sucesso, os pacientes precisam se reintegrar à sociedade. O receio das outras pessoas é uma grande barreira nesse aspecto”, diz o psiquiatra e diretor clínico da Clínica Maia Prime, Paulo Castro.
Para o médico, um tratamento adequado pode antecipar e prevenir comportamentos agressivos. “Os delírios dos pacientes fazem com que eles se sintam atacados e acuados. Em alguns casos, eles pensam que precisam se defender disso e podem ser agressivos. Mas, com a terapia, é possível descobrir se o paciente pode ser um perigo para ele mesmo ou para os outros”, tranquiliza Castro.
O psiquiatra Moacyr Alexandro Rosa, diretor do Ipan (Instituto de Pesquisas Avançadas em Neuroestimulação), explica que muitos pacientes conseguem ter uma vida normal. “Um terço dos pacientes reage bem ao tratamento e consegue trabalhar e ter uma rotina normal. Outro terço apresenta sequelas e precisa de um acompanhamento mais intenso, mas, ainda assim, pode ser reinserido na sociedade. Apenas um terço dos casos precisa de internação”, afirma o médico, que acrescenta: “Um paciente com esquizofrenia está tão sujeito a ser violento quanto uma pessoa saudável”.
Daniel Coutinho assume que esfaqueou o pai por medo
O delegado Rivaldo Barbosa, titular da Divisão de Homicídios do Rio de Janeiro, afirmou que Daniel Coutinho, que sofre de esquizofrenia, confessou que tinha medo de viver e pretendia praticar suicídio, mas não queria deixar os pais desamparados.

Por isso, Daniel esfaqueou a mãe e depois matou o pai a facadas, antes de tentar se matar. O psiquiatra Paulo Castro conta que alguns pacientes de esquizofrenia adquirem uma ideia fixa por meio de um delírio. “Durante o surto, eles acreditam que precisam cumprir uma missão ou algo muito ruim vai acontecer a eles”, afirma o médico. “É possível prevenir a agressão com a terapia.”

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